Escrever para jovens

Falar de literatura juvenil é uma alegria para mim. E escrever para eles é um grande prazer. Falando francamente, acho que a literatura juvenil deveria ter outro nome. A palavra “juvenil” não traduz mais, nos dias de hoje, a realidade dos teens e, a meu ver, tornou-se totalmente obsoleta. Antiga. Ultrapassada.
Sendo assim, prefiro falar em Literatura Teen, para desespero dos críticos literários e dos puristas, eternos defensores do Brasil e da Língua Portuguesa. Paciência se eu me indispor com eles…

Por que gosto tanto de escrever para adolescentes? Porque essa é uma fase da vida em que não se é mais criança…. mas tampouco se é adulto. A adolescência é, na verdade, o meio do caminho e é justamente aí que os maiores problemas podem acontecer. Por outro lado, é um ótimo momento para pensarmos sobre a vida, para começarmos a “afiar” as nossas garras, preparando o corpo e o espírito para a vida adulta, que virá em seguida. 
Há muita gente que pensa nos teens como seres sem cérebro, que não têm outra preocupação além de… preocupar-se com nada de importante. Nada mais longe da realidade! Teens, de modo geral, são extremamente preocupados com tudo, se interessam por tudo, querem entender de tudo, justamente por saberem que a vida lá fora os espera em breve. Guardadas as proporções e descontadas as exceções, eu diria que a adolescência é a melhor fase da vida, pois podemos dar as costas à (controlada) infância e experimentar o gosto da liberdade da vida adulta sem assumir suas reais responsabilidades. Por isso gosto de escrever para eles.

Foi na minha adolescência que aprendi a pensar, a refletir sobre o mundo. Foi aos 14 anos que comecei a escrever. Foi nessa idade que vivi meu primeiro amor. E todos esses acontecimentos tiveram grande importância para mim, foram determinantes para que eu me tornasse quem sou hoje. Digo, uma pessoa preocupada com o mundo que me cerca e que pretende, através de seus livros, lançar sementes aos quatro ventos para que algumas floresçam, seja onde for ou quando for.

Não tenho a pretensão (nunca tive) de “parecer adolescente” em meus livros. Seria ridículo, até porque já passei da fase há algum tempo. Mas procuro tornar minha linguagem acessível a eles, colocando em pauta discussões pertinentes à sua idade, cotidiano, interesses e modo de vida. Espero, pois, atingir sempre esse objetivo.

  

Infelizmente, em nosso país a Literatura Juvenil é considerada “literatura menor”, a mídia não lhe cede espaço, os cadernos literários a ignoram solenemente. Mesmo a Literatura Infantil, que também vive um pouco à margem, é vista com alguma reserva, ainda que com mais condescendência, talvez devido à sua história, mais longa do que a Juvenil. Fala-se muito em “literatura para crianças” e muito pouco em “literatura para jovens”. A prova disso é que a maioria dos concursos literários, programas oficiais de aquisição de livros e assemelhados reúnem as duas categorias em uma só (infanto-juvenil), quando na verdade, a meu ver, deveriam estar separadas. Afinal de contas, há autores que escrevem unicamente para um ou outro segmento.

Mas essa é uma discussão longa, e as mudanças virão com o tempo, à medida que mais e mais autores se dedicarem a escrever para jovens. Torço para que, num futuro próximo, nossa produção literária destinada aos teens chegue a muitos outros países. E que possamos, também, conhecer mais a produção literária que existe lá fora. Essa aproximação de diferentes culturas através do conhecimento da produção literária é um dos meus sonhos… Espero conseguir realizá-lo, e contando com a ajuda de muitos outros escritores.