Escrever para adultos

Temos excelentes escritores em nosso país, que nada ficam a dever aos estrangeiros. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer, dentro e fora de nossas fronteiras. Mesmo no Brasil, se temos ótimos escritores, muitos são absolutamente desconhecidos do grande público. Nesse ponto, voltamos à questão da falta de hábito de leitura, acompanhada também da falta de poder aquisitivo etc. Parece um ciclo sem fim, mas não é.

Paulo Coelho, por mais que tenha arregimentado atrás de si um batalhão de críticos ferozes à suas obras, conseguiu o que ninguém — à exceção de Jorge Amado— havia conseguido até hoje: levar textos brasileiros a diferentes países do mundo. Ainda que sua obra não tenha a cultura brasileira como pano de fundo ou discussão central, não importa. Acredito que as portas abertas por ele poderão dar passagem a muitos outros, pois o mais importante foi vencer o primeiro obstáculo, quebrar o paradigma de que escritores brasileiros só poderiam fazer sucesso no exterior se falassem de samba, mulatas, malemolência e carnaval. Não que tudo isso não faça parte de nossa cultura, mas não somos um povo unicamente preocupado com esses valores, por mais importantes que sejam para todos nós. A nossa “cara” é, com certeza, muito mais multifacetada e muito mais interessante.

Assim, espero que a verdadeira “cara” do Brasil viaje ainda pelo mundo inteiro, através de muitos e muitos autores e obras, cujos livros, conjuntamente e ao longo do tempo, mostrem verdadeiramente o povo que somos.
Quanto a escrever para adultos, fiz duas tentativas há alguns anos, em parceria com outra escritora, mas não deu certo. Os livros foram publicados, mas descobri que, pelo menos por enquanto, esse não é o caminho que desejo seguir. Pode ser que daqui a alguns anos eu mude de idéia, não sei. Pode ser que meus jovens leitores de hoje, um dia, quando forem mais velhos, desejem ler romances para adultos, escritos por mim. O futuro é uma incógnita, mas por enquanto estou muito feliz produzindo livros apenas para os teens.