Relação autor-editor

Relação autor-editor: uma das coisas mais importantes e ao mesmo tempo difíceis no mercado editorial. Considero-me afortunada pois sempre trabalhei em editoras, o que me ajudou a conhecer muito bem esse universo e as leis que regem o mundo dos livros. Sendo assim, quando comecei a escrever, já sabia um pouco como funcionava a engrenagem. Hoje, sei exatamente qual é o caminho que o autor precisa seguir para tornar-se um escritor publicado, e principalmente o que deve fazer, ou não, quando envereda por tal caminho.
Existem algumas orientações básicas, que podem ajudar e muito.

O escritor é quase sempre um sonhador. Isso significa que tem dificuldade em lidar com o lado prático da vida, ou seja, com a realidade dos fatos. E a realidade dos fatos é: uma editora é uma empresa, e como tal vive do que fatura todos os meses. O faturamento vem através das vendas e quem decide o que comprar é o consumidor. O consumidor dita as leis do mercado, uma vez que é ele quem decide o que quer ou não adquirir, seja na farmácia, na livraria ou no supermercado.

 

Nos dias de hoje, o mercado não tem tempo a perder, a competitividade é uma ameaça para todos aqueles que ignoram o público e as editoras não estão à parte dessa realidade. Ao contrário, considerando-se que o Brasil não possui tradição de leitura e de aquisição de livros, as editoras — mesmo as grandes — são obrigadas a apostar na publicação de obras que sejam capazes de produzir o quê? Claro! Faturamento! É dele que saem os recursos para que a empresa continue a existir.

Normalmente, um original é avaliado de modo que o editor saiba:
Se está bem escrito
Se a idéia é interessante
Se é vendável
Claro que há situações que fogem a essas regras. Quando, por exemplo, a editora publica o original de um autor conhecido, ou de um autor que já é da casa, muitas vezes a capacidade de gerar vendas pode não ser levada em conta, pois aquela obra ou aquele autor podem agregar prestígio ao catálogo pelo simples fato de constarem do mesmo.

No entanto, na maioria dos casos, o que vale é a lei do mercado. As editoras têm se profissionalizado cada vez mais nos últimos anos e esse é um caminho irreversível. Cabe, aqui, neste momento, a pergunta mais importante: qual é a chance real de um autor iniciante ver seu livro publicado?

Isso vai depender de uma série de fatores, e o primeiro deles é a persistência do autor em burilar seu trabalho a cada dia. Estilo literário é algo que deve ser treinado e aprimorado sempre. Todos nós mudamos com o passar do tempo, e mudam também a nossa visão de mundo, nossos valores, nossos sentimentos, nossas opiniões acerca da sociedade. Como conseqüência, mudam também aquilo que priorizamos em nossas vidas. Todo esse movimento constante de mudança se reflete em nosso trabalho, e se somos escritores, invariavelmente também influenciará nossa produção literária.

 

Levar em conta a realidade do mercado nem sempre é fácil, pois há autores que desejam ser lidos, enquanto outros desejam enriquecer. O mais importante é saber o que se deseja e ao autor é fundamental responder a três perguntas básicas, mas capazes de definir toda a sua carreira: o que deseja dizer, a quem deseja dizer, e por qual motivo. Se o autor é capaz de responder a essas três perguntas, boa parte de seu trajeto no caminho para a publicação estará percorrido.

Se você quiser discutir esse assunto ou conhecer mais a respeito de Mercado Editorial, entre em contato comigo. A estrada é longa, mas muito promissora para aqueles que têm talento, persistência, paciência e certeza de que desejam tornar-se escritores.