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Romance e suas diversas variações • Escrever bem #9

A palavra “romance” quase sempre é associada a assuntos afetivos, a situações que envolvem sentimentos de paixão e amor. Sim, a maioria das pessoas tem essa ideia em mente. Na vida real, quando falamos em romance, falamos em coisas de amor, sem dúvida.

Na literatura, porém, chamamos de romance às narrativas em prosa (sem rimas ou versos), geralmente longas, apresentando fatos criados ou relacionados a personagens que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas, em uma sequência de tempo relativamente ampla.

De acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, o romance (literariamente falando) é: “Descrição longa das ações e sentimentos de personagens fictícios, numa transposição da vida para um plano artístico.”

Assim, é importante esclarecer que, em literatura, todas as narrativas longas com as características acima citadas são romances — não apenas as histórias de amor.

A associação do termo “romance” com histórias de amor vem do Romantismo, um movimento artístico, filosófico e literário que surgiu no final do século XVIII na Europa, indo até o final do século XIX. No Brasil, temos vários exemplos de escritores que pertenciam a essa célebre escola: José de Alencar, Gonçalves Dias, Bernardo Guimarães, Manuel Antônio de Almeida, Álvares de Azevedo, Joaquim Manuel de Macedo, Franklin Távora e vários outros. Na nossa história literária, o romance tornou-se, ao longo do tempo, a mais “cultuada” e importante modalidade narrativa, mantendo tal status até os dias de hoje.

Tecnicamente falando, um romance apresenta quatro elementos principais em sua estrutura: narrador, personagem, enredo e tempo.

Narrador

Aquele que conta o que aconteceu na história, podendo aparecer em primeira pessoa — eu e/ou nós contamos a história — ou em terceira pessoa — ele/ela, eles/elas contam a história.

Exemplos:

1) Eu saí de casa mais cedo, apesar da chuva. Não queria falar com ninguém naquela manhã, pois ainda me sentia muito magoada com todos (narrativa em primeira pessoa).

2) Ela saiu de casa mais cedo, apesar da chuva. Não queria falar com ninguém naquela manhã, pois ainda sentia-se muito magoada com todos (narrativa em terceira pessoa).

Personagens

São aqueles que, no texto, praticam as ações e provocam o desenvolvimento da história. São representações fictícias de seres humanos. A personagem principal de um romance é chamada de protagonista.

Enredo

É o nome que se dá à sequência de fatos de uma narrativa. A palavra enredo refere-se a um entrelaçamento de fatos. O enredo apresenta situações de conflito e, a partir dele, se chega ao tema, que é o motivo central do texto.

Tempo

As ações das personagens acontecem em um determinado tempo. Em um romance pode existir o tempo cronológico e o tempo psicológico. O tempo cronológico é o tempo exterior, marcado pela passagem das horas, dos dias etc. O tempo psicológico, subjetivo, é o tempo interior, aquele que transcorre no interior das personagens, não pode ser mensurado.

Logo, pelo que vimos acima, existem vários tipos, ou modalidades, de romance, especialmente nos dias de hoje. Alguns exemplos: romance romântico, romance histórico, romance policial, romance de terror, romance de humor, romance regionalista, romance indianista, romance psicológico, romance de aventura, romance cristão, romance gótico, romance de fantasia, romance de ficção científica, romance chick-lit, romance fantástico, romance erótico… e várias outras modalidades.

Como podemos saber que tipo de romance estamos lendo? Basta procurar essa informação na Ficha Catalográfica do livro!

Informa a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (2019) sobre a Ficha Catalográfica:

Elemento de apresentação obrigatória, a ficha catalográfica deve conter a descrição bibliográfica de uma obra, reunindo os elementos fundamentais para permitir a sua rápida identificação e recuperação a partir de um sistema de indexação.

Assim, todos os livros devem ter a sua própria Ficha Catalográfica, que geralmente está inserida no final da página de créditos, ou seja, na página onde estão as informações técnicas da obra, como: copyright, equipe responsável pela sua produção, nome e endereço da instituição publicadora etc. Quase sempre é uma das páginas iniciais do livro, mas há editoras que a incluem no final. Abaixo, um exemplo de ficha catalográfica:

Fonte: http://cenariosdaserracatarinense.com.br/

Para finalizar este post, alguns exemplos de romances que ilustram a lista que já citamos aqui:

Romance romântico: A escrava Isaura (Bernardo Guimarães)

Romance histórico: Memorial do convento (José Saramago)

Romance policial: O assassinato de Roger Ackroyd (Agatha Christie)

Romance de terror: O iluminado (Stephen King)

Romance gótico: Drácula (Bram Stoker)

Romance de humor: Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (Mário de Andrade)

Romance regionalista: Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz)

Romance indianista: Iracema (José de Alencar)

Romance psicológico: O morro dos ventos uivantes (Emily Brönte)

Romance de aventura: A volta ao mundo em 80 dias (Júlio Verne)

Romance cristão:  A bandeja (Lycia Barros)

Romance de fantasia: O senhor dos anéis (J. R. R. Tolkien)

Romance de ficção científica: Jogos vorazes (Suzanne Collins)

Romance chick-lit: Freud, me tira dessa (Laura Conrado)

Narrativas fantásticas (contos): A morte de D. J. em Paris (Roberto Drummond)

Romance erótico: Erótica (Anaïs Nin)

 

Até a próxima semana!

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