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Erros comuns que cometemos em língua portuguesa – Parte 1 • Escrever bem #12

Agora que já vimos quais são as principais modalidades literárias em ficção e não ficção, podemos começar a pensar sobre erros comuns que, todos nós, em algum momento, cometemos ou podemos cometer falando a nossa amada língua portuguesa. É muito importante ter autocrítica e admitir que não falamos corretamente o tempo todo. Seja por hábito, distração ou mesmo falta de conhecimento formal, quando falamos no dia a dia fazemos isso sem pensar, ou seja, falamos automaticamente. Assim, cometemos erros. A linguística, no entanto — ciência que estuda a linguagem verbal humana —, nos perdoa! Afinal, os linguistas sabem que a linguagem falada está em constante mudança.

Porém, quando escrevemos é diferente porque geralmente temos tempo para pensar. Além disso, a palavra escrita é um registro, que muitas vezes poderá permanecer vivo por bastante tempo, às vezes séculos. Logo, todos aqueles que desejam tornar-se escritores precisam estar atentos às principais regras da língua escrita, ou seja, precisam estar atentos às regras gramaticais. Uma excelente história pode perder muito de seu encanto se estiver mal escrita e, ao ser apresentada a um editor, poderá ser recusada justamente por causa disso. Por isso, sim, é necessário estudar e aprimorar o conhecimento em língua portuguesa formal.

Abaixo, selecionei 20 exemplos de erros comuns em português. Leia e depois pense: quais deles você já “cometeu” em algum momento?

ERRADO POR QUÊ? CERTO
O livro é pra MIM ler. MIM não lê porque não pode ser sujeito da frase. O livro é pra EU ler.
Não dá pra MIM comprar essa bolsa. MIM não compra porque não pode ser sujeito da frase. Não dá pra EU comprar essa bolsa.
Está tudo decidido entre EU e VOCÊ. Depois da preposição, usa-se MIM ou TI. Está tudo decidido entre MIM e VOCÊ.
Está tudo certo entre TI e ELES.
FAZEM dez anos que cheguei a esta cidade. FAZER, quando exprime tempo, é impessoal. FAZ dez anos que cheguei a esta cidade.
HOUVERAM muitas pessoas na festa. HAVER, no sentido de existir, é invariável. HOUVE muitas pessoas na festa.
EXISTE muitas expectativas. EXISTIR é verbo regular e varia normalmente. EXISTEM muitas expectativas.
BASTARIA duas janelas BASTAR é verbo regular e varia normalmente. BASTARIAM duas janelas.
RESTAVA duas laranjas no cesto. RESTAR é verbo regular e varia normalmente. RESTAVAM duas laranjas no cesto.
BASTARIA duas pessoas para ajudar. BASTAR é verbo regular e varia normalmente. BASTARIAM duas pessoas para ajudar.
VENDE-SE casas na Rua Acre. O verbo deve concordar com o sujeito. VENDEM-SE casas na Rua Acre.
ALUGA-SE bicicletas. O verbo deve concordar com o sujeito. ALUGAM-SE bicicletas.
FAZ-SE consertos. O verbo deve concordar com o sujeito. FAZEM-SE consertos.
Ela chegou Há DOIS ANOS ATRÁS. HÁ e ATRÁS indicam passado, por isso não os usamos juntos na mesma frase. Ela chegou HÁ DOIS ANOS.
Ela chegou DOIS ANOS ATRÁS.
JÁ não há MAIS motivo para recusa. JÁ e MAIS têm a mesma função na frase. Não há MAIS motivo para recusa.
não há motivo para recusa.
Ele ENTROU DENTRO do jardim. Ninguém “entra fora” de algum lugar. Ele ENTROU NO jardim.
Ana SUBIU PRA CIMA do telhado. Ninguém “sobe para baixo” de algum lugar. Ana SUBIU NO telhado.
João DESCEU PARA BAIXO da ladeira. Ninguém “desce para cima” de algum lugar. João DESCEU A ladeira.
Marisa SAIU PARA FORA no mesmo instante. Ninguém “sai para dentro” de algum lugar. Marisa SAIU no mesmo instante.
Rita ENTROU PARA DENTRO quando viu o gato. Ninguém “entra para fora” de algum lugar. Rita ENTROU quando viu o gato.
Ela saiu cedo, MAS NO ENTANTO não pôde pegar o trem. Redundância. Não use MAS e PORTANTO na mesma frase. Ela saiu cedo, MAS não pôde pegar o trem.
Ela saiu cedo, NO ENTANTO não pôde pegar o trem.

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