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Entendendo Ficção e Não Ficção • Escrever bem #5

Para entender melhor o que é a arte de escrever, em primeiro lugar é importante saber quais são as diferentes modalidades — por assim dizer — da expressão narrativa. Porém, é importante esclarecer que esses termos não se referem somente à literatura, mas igualmente ao cinema, por exemplo, e que, como a escrita, também reúne obras de arte criadas a partir da imaginação e do conhecimento humano.  Para a finalidade desta série, vamos, então, nos ater à literatura.

As obras literárias podem ser inicialmente classificadas de acordo com duas grandes divisões, que são denominadas Ficção e Não Ficção. Em meio a essas duas vertentes navegam todos os escritores, cada um deles escrevendo do modo com o qual mais se identifica, de acordo com os objetivos que pretende atingir. É importante lembrar que existem, sim, muitas diferenças entre obras ficcionais e não ficcionais. Na verdade, todas as diferenças que você puder imaginar! Vamos conhecer melhor cada uma delas.

Não ficção

Esse termo designa todas as obras que narram histórias e acontecimentos reais, ou seja, que efetivamente aconteceram no nosso mundo. Por isso, sempre têm compromisso com a realidade e, em princípio, com a verdade dos fatos narrados. Entretanto, nem sempre as obras de Não Ficção baseiam-se em fatos ou dados inteiramente exatos. A exatidão das informações escritas/publicadas depende muito das fontes consultadas pelo autor, de suas pesquisas e, principalmente, daquilo que ele acredita corresponder à verdade. Desse modo, o leitor poderá, caso queira, checar a veracidade das informações que obtém por meio da leitura. Mesmo assim, a Não Ficção está fortemente ligada a informação e a aprendizado, mas nunca a universos imaginários.

Nessa modalidade temos (basta clicar):

Almanaque, artigo científico, autobiografia, biografia, carta, crítica literária, diário, dicionário, enciclopédia, ensaio, filosofia, fotografia, história, história natural, jornal, memórias.

Clique nas modalidades para ver os exemplos.

Exemplos de narrativas de Não Ficção

Roteiro – Doc Comparato

“Podemos definir um roteiro de diversas maneiras. A mais simples e direta: roteiro é a forma escrita de qualquer espetáculo áudio e/ou visual. Isto se aplica a espetáculos de teatro, cinema, televisão, rádio etc. Basicamente, um roteiro deve ter 3 qualidades essenciais: logos, pathos, ethos.”

(COMPARATO, D. Roteiro: arte e técnica de escrever para cinema e televisão. 6. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1983, p. 15.)


1822 – Laurentino Gomes

“Quando Domitila subiu à tribuna reservada às damas do Paço para assistir às cerimônias religiosas, as senhoras da nobreza retiraram-se em protesto. Para reparar a ofensa, dias mais tarde D. Pedro I elevou-a ao posto de dama de honra da imperatriz Leopoldina. Dessa forma, conferia à amante o direito de ocupar lugar privilegiado em todas as reuniões, passeios, viagens e outros eventos da corte.”

(GOMES, L. 1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil — um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010, p. 270.)


Princesa Sultana – Jean P. Sasson

“Voltei para a cama e tentei contar nos dedos quantas de minhas primas reais se haviam viciado em bebida ou drogas. Contudo, não havia dedos suficientes. Durante os últimos anos o problema se havia tornado tão inquietante que foram abertas no país várias clínicas para dependentes. Assim, os homens da família Al Saud não precisam mais mandar para outro país as esposas viciadas em álcool ou drogas para se reabilitarem.”

(SASSON, J. P. Princesa Sultana – Sua vida, sua luta. 2. ed. Tradução de Therezinha M. Deutsch e Sylvio Deutsch. Rio de Janeiro: Best Seller, 2005, p. 37.)


Vadios e ciganos, heréticos e bruxos – Geraldo Pieroni

“Nas possessões ultramarinas portuguesas, recentemente conquistadas, havia sempre lugares reservados aos degredados. Quando os conquistadores tinham dúvidas a respeito da hospitalidade dos habitantes de uma terra estranha, faziam desembarcar, primeiro, um condenado. Se este fosse bem recebido pelos habitantes, seria um grande passo no sentido de travar conhecimento, estabelecer laços de amizade e começar a conquista dos nativos e das terras. Caso contrário, se o condenado fosse capturado e morto por flechas envenenadas ou assado em fogo lento, isso significava, simplesmente, um criminoso a menos entre os muitos que as legislações da época puniam com o banimento.”

(PIERONI, G. Vadios e ciganos, heréticos e bruxos – Os degredados no Brasil-Colônia. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p. 21.)


Água – Oito milhões de mortos por ano. Um escândalo mundial – Michel Camdessus et al.

“Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso adequado e a um preço aceitável à água potável. Perto de dois bilhões e meio não dispõem de qualquer tipo de saneamento. A água é vida! A ausência de água é doença e morte. […] Sem água, as células não poderiam trocar informações. Sem água, os grandes ciclos reguladores do ecossistema não poderiam funcionar. Essencial às origens da vida, ela está no seio mesmo dos organismos vivos e em suas interações.”

(CAMDESSUS, M. et al. Água – Oito milhões de mortos por ano. Um escândalo mundial. Tradução de Maria Angela Villela. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005, p. 11 e 37.)

No próximo post abordaremos o tema Ficção!

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