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Poesia e poema: emoção pura! • Escrever bem #8

Quando lemos uma poesia/poema somos diretamente tocados pela emoção do poeta, que tem o poder de despertar as nossas próprias emoções, falando diretamente à nossa alma. Sim, a poesia fala ao nosso coração e às nossas emoções, não à nossa razão.

No entanto, existem algumas diferenças importante entre poesia e poema, que vamos conhecer um pouco neste post.

Poema é um tipo de expressão textual que apresenta uma estrutura definida, que pode ser composta, ou não, de versos e estrofes. (O soneto, por exemplo, é um tipo de poema composto por quatro estrofes: dois quartetos e dois tercetos.) O poema, então, é um arranjo de palavras que adquire significado a partir das emoções do autor (chamado de eu lírico) e do leitor.

Poesia, por sua vez, não é necessariamente expressa por um texto escrito, mas igualmente por qualquer outra forma de arte como pintura, fotografia, músicas e, claro, textos. Por intermédio dela, o autor — eu lírico — expressa seus sentimentos e visão pessoal sobre o assunto abordado, combinando palavras, significados e recursos estéticos.

Assim, podemos dizer que todo poema é considerado poesia, porém nem toda poesia precisa ser um poema. Ambos, no entanto, estão intimamente ligados à manifestação de emoção pura.

A poesia pode ser dividida em quatro gêneros principais: poesia lírica, poesia épica, poesia dramática e poesia narrativa, cada um deles com características próprias que os diferenciam entre si.

A modernidade, porém, abriu espaço para novas formas de manifestação desse gênero e hoje temos muitos poetas que fazem uso do chamado verso livre, aquele que não é escrito de forma rígida e “padronizada”, com o uso sistemático de, por exemplo, estrofes e rimas. A poesia moderna é, na verdade, absolutamente livre, no sentido estrito da palavra, permitindo assim a também livre manifestação artística de todos esses grandes e admiráveis artistas da emoção!

Exemplos de poemas

“— Os sonhos chegam de viagem.
Eles passam o dia filmando coisas na rua.
Quando escurece, colocam um
projetor por trás dos meus olhos
E eu viro cinema mudo.” (Clarice Freire)

(FREIRE, C. Pó de lua nas noites em claro. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016, p. 126.)


“parece que é deselegante
falar da minha menstruação em público
porque a verdadeira biologia
do meu corpo é real demais

é legal vender o que
uma mulher tem entre as pernas
mas não é tão legal
mencionar suas entranhas

o uso recreativo deste
corpo é considerado
uma beleza mas
sua natureza é
considerada feia.” (Rupi Kaur)

(KAUR, R. Outros jeitos de usar a boca. São Paulo: Planeta, 2015, p. 177.)


“[…] O amor é a própria cura
remédio pra qualquer mal
cura o amado e quem ama
o diferente e o igual.
Talvez seja esta a verdade:
é pela normalidade
que todo amor é normal.
Entenda que nesse mundo
com todo tipo de gente,
dá pra praticar o amor
de mil formas diferentes,
talvez uma opção
seja amar com o coração
e respeitar com a mente.” (Bráulio Bessa)

(BESSA, B. Poesia que transforma. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. Livro eletrônico.)


“Num mundo doente
toda poesia é
bem vida
amor
porto seguro
de um
nó frágil” (Pedro Gabriel)

(GABRIEL, P. Ilustre Poesia: eu me chamo Antônio. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016, p. 144.)


Cristal – Paulo Bomfim

“Nos fragmentos de ti mesmo
Recompõe a dureza da rocha,
Brota do espanto milenar da terra,
Nasce novamente em cada face que se revela,
Brilha em tua solidão, e em teu mistério poroso
Terá recordado o princípio do teu princípio.”

(BOMFIM, P. 50 anos de poesia. São Paulo: Green Forest do Brasil, 1998, P. 150.)


“[…] Europeu!
Filho da obediência, da economia
e do bom senso,
tu não sabes o que é ser Americano!
Ah! Os tumultos do nosso sangue temperado
em saltos e disparadas sobre os pampas,
savanas, planaltos, caatingas onde estouram
boiadas tontas, onde estouram
batuques de cascos, tropel de patas,
torvelinho de chifres!
Alegria virgem das voltas que o laço dá na
coxilha verde,
alegria virgem de rios-mares, enxurradas,
planícies cósmicas, picos e grimpas,
terras livres, ares livres,
florestas sem lei!
Alegria de inventar, de descobrir,
de correr!
Alegria de criar o caminho com a planta do pé!
Europeu!
Nessa maré de massas informes,
onde as raças e as línguas se dissolvem,
o nosso espírito áspero e ingênuo
flutua sobre as coisas,
sobre todas as coisas divinamente rudes,
onde boia a luz selvagem do dia Americano!” (Ronald de Carvalho)

(CARVALHO, R. Toda a América. 3. ed. Rio de Janeiro: Razão Cultural, 2001, p. 29-31.)

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