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Sim, para escrever bem é preciso ler • Escrever bem #2

Esta é uma frase bastante comum e inúmeras vezes repetida, sempre associada à leitura, mas que, de fato, expressa uma verdade inquestionável. Sem dúvida, quem quer escrever bem precisa cultivar o hábito de ler! No entanto, muitas pessoas resistem a essa ideia porque acham que ler é chato, dá dor de cabeça, enjoa, cansa os olhos e assim por diante. No entanto, a leitura nada mais é do que um hábito e hábitos podem ser adquiridos e cultivados ao longo da vida. Por isso, sugiro que você acrescente a leitura à sua lista de hábitos saudáveis.

Ler ajuda o desenvolvimento da imaginação, da capacidade criativa, da habilidade linguística, além de trabalhar as emoções e aprimorar as habilidades de comunicação. Além disso, pode nos fazer viajar por mundos novos. Lendo, podemos ir a qualquer lugar, mesmo a outros universos ou planetas.

Sendo um hábito, penso que cada pessoa deve ler o que gosta. Se você, por exemplo, se interessa por livros de autoajuda, vá em frente. Pesquise na internet os autores e assuntos que julgar mais interessantes. Se você gosta de ler romances, idem. Penso que a única regra — indispensável — para desenvolver esse saudável hábito é dedicar-se à leitura de temas que realmente sejam capazes de morar na sua alma! Sejam mangás, quadrinhos, poesias, romances, contos, não importa, o mais importante é ler — porque ler é preciso!

Detalhe importante: não se sinta na obrigação de ler clássicos da literatura… (Esse dia chegará, mas, caso não chegue, não se culpe nem se sinta diminuído.)

A cada post vou deixar aqui alguns trechos de obras de que gosto muito. São listas bastante ecléticas, mas espero que agrade a todos os tipos de leitores e aspirantes a leitores, incentivando-os a ingressar no mundo dos livros!

1808 – Laurentino Gomes

“Carlota, as filhas princesas e outras damas da corte tinham desembarcado com as cabeças raspadas ou cabelos curtos, protegidas por turbantes, devido à infestação de piolhos que havia assolado os navios durante a viagem. Tobias Monteiro conta que, ao ver as princesas assim cobertas, as mulheres do Rio de Janeiro tiveram uma reação surpreendente. Acharam que aquela seria a última moda na Europa. Dentro de pouco tempo, quase todas elas passaram a cortar os cabelos e a usar turbantes para imitar as nobres portuguesas.”

(GOMES, L. 1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Planeta, 2007, p. 144.)


Capitães de areia – Jorge Amado

“Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem. Antigamente, aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas do mar ora se rebentavam fragosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua.”

(AMADO, J. Capitães de areia. 57. ed. Rio de Janeiro: Record, 1983, p. 25.)


As brumas de Avalon. A senhora da magia – Marion Zimmer Bradley

“Assim, talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho de Avalon, perdido para sempre nas brumas do mar do Verão. Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana, que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada.”

(BRADLEY, M. Z. As brumas de Avalon – Livro um: A senhora da magia. Rio de Janeiro: Imago, 1989, p. 11.)


A ilha sob o mar – Isabel Allende

“Por um tempo, duas ou três semanas, não pensei em fugir. Mademoiselle era divertida e bonita, tinha vestidos de muitas cores, cheirava a flores e saía à noite com amigos, que depois voltavam para casa e faziam o que tinham que fazer, enquanto eu tapava os ouvidos no quarto de Loula, embora os ouvisse assim mesmo.”

(ALLENDE, I. A ilha sob o mar. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010, p. 48.)


O cérebro nosso de cada dia – Suzana Herculano-Houzel

“Contar o número de neurônios no cérebro não é brincadeira, principalmente em se tratando de cérebros como os nossos, que têm em torno de cem bilhões dessas células. Ninguém é doido de sair contando microscópicos neurônios no cérebro todo — mesmo porque, contando um por segundo, a tarefa consumiria 3.200 anos.”

(HERCULANO-HOUZEL, S.  O cérebro nosso de cada dia – Descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana. 5. ed. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2002, p. 30.)

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